Posto que ‘vivi’, o pior pesadelo da minha vida, pesadelo literalmente falando e que não o esqueço, esse episódio gerou um trilhão de reflexões, que me fizeram concluir algo tão banal quanto este texto que estou escrevendo: SOU MUNDANA.
No meu pesadelo, eu morria afogada, preensada no fundo do mar, comendo lodo e eu não conseguia subir, pois havia um colchão em cima.
Colchão com água pesa, e no fundo do mar então…pesa que é uma beleza!
Neste sonho eu voltava e notava que as pessoas continuavam a vida delas.
Eu tentava me cheirar e não tinha mais nenhum dos cheiros que a vida me fez viciar, tentava me pegar e não tinha carne.
Não queria sair deste mundo, não queria!
Meus breves leitores, entendam que sou muito nova e como não acredito em nada, nada me esperava do outro lado, era um vazio…imenso, doido, triste.
E desse lado, quando caía na real, nada tinha também, pois não sonho em construir uma familia, com filhos e cachorros no quintal, e eu me estarrecia em ver que os que aqui continuavam, viviam ser mim numa boa… Ora bolas! eu vivi sempre para eles.
Nascemos sós e morremos sós.
Mas do que senti falta? Amigos, sou mundana, eu assumo perante vocês, eu não presto.
Eu não acredito e se acreditasse não iria desejar, o reino dos céus, paraíso, ou como quiserem chamar.
Segundo escuto, não há futebol lá, nem tardes de cerveja, com o tal esporte, amendoim e amigos. Só existe música classica, não há roupas e minha vaidade vai para o lixo lá. Eu não cresço, não mudo, continuo da mesma forma. Lá não existe graus de parentesco, não existe amor… Eu vivo para esse tema, entendam!!! Lá você é assexuado e não há necessidade de sexo ou nada parecido.
Mas você aprende muito, lê muito, uma sabedoria infinita….Que eu vou discutir onde? Sentada em cima das arvores do paraíso, bebendo suco de manga, em baixo tom? Aaaah.
Desculpa, por mais efusivo que isso pareça, sou tão feliz que meu paraíso é aqui.
Sou uma alma perdida… Vamos lá, assumi. Vocês pessoal das crenças, juízes da real life, que adoram apontar o dedo para o certo e errado, como se apontar o dedo já não fosse errado, me julguem, to liberando.
Me perguntam sempre como posso não ter raiva de ninguém, perdoar tão fácil, ser tão mantegona e porque sou tão carinhosa. (Jão, meu leitor, assustado de saber que na vida fora do blog, sou amavel e doce)… é porque eu já tive perto da morte (quem já leu a pagina ali, chamada ‘a autora’ sabe bem), e não me mataram por capricho, embora tenham machucado muito.
E eu amo absurdamente cada dia aqui, loucamente. Eu amo cada um dos meus mimos como cheiro, cerveja, amigos, risadas, futebol, amor. Eu me sinto sortuda em ver as pessoas de quem gosto todos os dias, eu ganho meu dia com um abraço e sou mundana, nem um pouco espiritualizada e não quero sair daqui por nada.
Mas me reservo ao direito, de ser como o maior clichê do mundo, ‘uma metamorfose ambulante’ e mudar a qualquer hora, minha velha opinião formada sobre tudo.