Não gosto de coitadinhos, mas venho achando tudo uma grande injustiça.
Minha cabeça borbulha mil dúvidas que vocês me explicam, mas não tem nexo.
Eu ouço de quem possui uma religião o tempo todo ‘Deus me ajudou e tenho tal carro/se Deus quiser eu reato meu relacionamento/ Ele salvou minha vida/ Ele não vai te perdoar se você fizer isso ou aquilo/ Fulano de tal morreu porque Deus quis ele ao seu lado”.
Pera lá, e o tal: ‘Não use o nome de Deus em vão/ Veio do pó e ao pó voltaras/ E você acha mesmo que ELE salvaria a sua vida e deixaria a de outros? Se preocuparia com o seu relacionamento e não com o de outros? E o tal amor igual a todos? Não é prepotência?
Esses dias eu ouvi o maior discurso RELIGIOSO sobre aborto, de alguém que cogitou suicidio, QUÊ?
Vejo quem fica horrorizado com as atrocidades do mundo, mas tá chutando cachorros nas ruas.
E os cães hein? Eu não entendo, mas tem algo angelical neles. Quando passo por um lago, estes não sabem nem se vão comer mais tarde, mas estão brincando com seus amigos.
O tal amor, vem superando o próprio há tanto tempo. Eu notei que infelizmente aquele amor louco, só existe nos corações mais ingênuos. Hoje em dia, soe frio, mas é real, existe mais um acordo entre pessoas que se dão bem e tem um carinho em especial, de ficarem juntas, conversarem, resolverem problemas, mas com espaço. Aquele lance sou-chicletinho-colei-em-você, faz qualquer casal separar.
Os currículos, cada dia mais cheios (e é necessário), mas as cabecinhas parecem tão vazias. O psicológico não vem acompanhando.
E o prazer, parece que cada hora que fica mais acessível, na mesma proporção tá inacessível, vulgarizou tanto, que até o nú, por exemplo, antes era algo ‘u-a-u’ com uma mulher, atualmente rola quase uma aula sobre os órgãos internos de tanto que dá pra ver. Perdeu-se o sensual, em alguma página.
Perdeu a graça e agora parece que pouca coisa contenta.
Eu tenho fome de gente interessante.



SONETO DE NATAL
Um homem, – era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, -
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,
Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.
Escolheu o soneto… A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.
E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
“Mudaria o Natal ou mudei eu?”
(Ocidentais, in Poesias completas, 1901.)
SONETO DE NATAL
Um homem, – era aquela noite amiga,
Noite cristã, berço no Nazareno, -
Ao relembrar os dias de pequeno,
E a viva dança, e a lépida cantiga,
Quis transportar ao verso doce e ameno
As sensações da sua idade antiga,
Naquela mesma velha noite amiga,
Noite cristã, berço do Nazareno.
Escolheu o soneto… A folha branca
Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,
A pena não acode ao gesto seu.
E, em vão lutando contra o metro adverso,
Só lhe saiu este pequeno verso:
“Mudaria o Natal ou mudei eu?”
Machado de Assis
(Ocidentais, in Poesias completas, 1901.)