Aquela sensação

Aquela sensação incomoda de que algo está para acontecer. É um frio na barriga, nó na garganta, formigamento nas mãos…487441_602799499806607_69797485_n

Eu costumava não dar atenção porque era expert em estar errada, atualmente (e infelizmente) eu estive certa.

Talvez conforme vamos ficando mais velhos (eu comecei este blog aos 17 e vou fazer 27 agora em Março) algo dentro da gente ativa a função especial(?) de sexto sentido/um terceiro olho? Talvez até se não soar falsa modéstia: uma sabedoria extra.

Seria angustia? Ansiedade? Tem vários nomes, mas é estranho tentar definir sensação, né?

Aí eu tomo muitos e muitos copinhos d’agua, simplesmente porque preciso fazer algo durante este processo.

Eu sofro, mas sofro hidratada.

(Eu escolhi um quadro de autor desconhecido que vi em uma galeria em Milão, no dia me sentia como hoje e me identifiquei tanto! Eu e o quadro temos a mesma tentativa, de explicar a angustia e assim quem sabe alivia-la…)

 

 

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Rituais

Quando a gente sente o cheirinho de bolo quente no café da tarde, ele é muito mais especial que aquele bolo comprado, claro, o bolo comprado não demandou trabalho, não deixou a casa toda cheirosa, ninguém espiou ele e com carinho deu aquela espetadinha… será que tá bom?

As pessoas sentam em volta da mesa, tomam cafés, falam da vida. Será que elas percebem que estão em um ritual? falam disto? Eu queria falar, eu queria escrever sobre eles, pois pra mim, eles são importantes, eu os amo e vou protege-los ❤

E como ritual vamos entender aquele momento que antecede algo, que pra algo acontecer ele (esse momento) é inevitável. Como o momento do cheirinho que antecede o bolo, ou o caminho percorrido para chegar no destino de uma viagem.

Dentre eles há o da espera pelo prato no restaurante, quando rola aquele olho no olho, beberica-se um pouco, chega a ser mais gostoso que o prato principal. Muitas vezes o prato principal é uma desculpa para aquele momento.

Mesmo no amor, o frio na barriga, o calor da pele, o beijo até amassado, apertado, tem coisa mais importante? Mesmo que você saiba tudo que vai acontecer, como na cozinha quando o bolo cheira, no aeroporto na espera do embarque, no restaurante enquanto mata o tempo, a gente sabe do depois, mas isso não torna o antes menos gostoso, algo na gente vai se preparando inconscientemente pro êxtase daquelas ações.

E não me entendam mal, o êxtase é maravilhoso, mas ele antecede o fim.

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Quarto de despejo

Nós temos jóias em nossa literatura que não conhecemos, sabe-se lá o motivo, mas  desconfiamos: Carolina Maria de Jesus, autora de Quarto de Despejo era negra, favelada e mãe solteira, isso em meados de 1950. Seu livro, que era seu diário, esgotou nas livrarias em uma semana, e foi traduzido em 13 idiomas! Carolina é certamente a primeira escritora negra do Brasil.

Fez de seu diário um acalento para seu cotidiano. Escreveu de forma crua, insistentemente sobre a fome que atormentava seu estomago, sobre os *nãos* que a vida insistentemente lhe dava, sobre politica e conseguiu que seus leitores se revoltassem junto com ela, como nesse trecho aqui:

“Como é horrível ver um filho comer e perguntar: “tem mais?”, fica oscilando dentro do cérebro de uma mãe, que olha e não tem mais.
-Quando um politico diz nos seus discursos que está ao lado do povo, que visa incluir-se na politica para melhorar as nossas condições de vida, pedindo o nosso voto, prometendo congelar os preços, já está ciente que abordando esse grave problema ele vence nas urnas. Depois divorcia-se do povo. Olha o povo com os olhos semi-cerrados. Com um orgulho que fere a nossa sensibilidade.
…Quando cheguei do palácio que é a cidade os meus filhos vieram dizer-me que havia encontrado macarrão no lixo. E a comida era pouca, eu fiz um pouco do macarrão com feijão. E meu filho José disse-me:
-Pois é, a senhora disse que não ia mais comer as coisas do lixo.
Foi a primeira vez que vi a minha palavra falhar. Eu disse:
-É que eu tinha fé no Kubitschek”

Os cadernos encardidos, conta a história de uma mulher que se orgulhava de sua cor, que optou por não se casar após presenciar tanta violência domestica, que escrevia brilhantemente mesmo só tendo cursado um ano do ensino fundamental. Te traz a realidade de um povo esquecido, marginalizado, sofrido. É impossível ser indiferente a sua escrita.

Uma amiga disse que conseguir este livro era difícil, então trago aqui um link para baixar de graça (leitura gratuita <3), basta clicar aquicarolina

 

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Amores reais.

Se por um lado novelas, filmes clichês, disney e etc tenta nos vender a ideia de amor monogâmico, com príncipes, romantização do ciume, machismo (mulheres sempre a espera deles e de uma “salvação”, em casa preparando tudo para recebe-los, estando eles (seus homens) em primeiro lugar na vida), a cultura nos presenteia com casais reais que viveram amores dignos de inveja!

Meu ideal de amor vem de pessoas normais, com família, defeitos, duvidas, fantasiais, sonhos, mas principalmente de pessoas amigas, honestas, que se apoiam. É terrível ver casais que parecem inimigos, enganam o outro, reclamam o tempo todo, maltratam,impedem literalmente que a estrelinha do seu (de sua) parceiro (a) brilhe, como se o sucesso do outro fosse ofensivo.

Nas fotos temos os clássicos: Sartre e Beauvoir, Frida Kahlo e Diego, Patti Smith e Robert Mapplethorpe.

Eles tem alguns pontos em comum que me fazem suspirar: Amores que duraram toda uma vida, mulheres feministas que desenvolveram trabalhos incríveis e antes de tudo eram amigos, saíam juntos, dividiam sonhos, angustias e problemas. (Patti e Robert chegaram a passar fome juntos no inicio da vida a dois quando ainda sonhavam em serem artistas!)

Não foram monogâmicos, machucaram o outro, afinal a vida não é um conto de fadas, mas houve honestidade, paixão, companheirismo e muita, mas muita compreensão.

Quero alguém que acrescente na minha vida e que eu possa retribuir da mesma maneira. Sermos amantes mas também amigos. Não quero ser um só, quero ser dois. Duas vidas, duas estrelas, que caminham juntas não por conveniência, mas por escolha.

Eu sinceramente não sei o que pode ser mais bonito. O real me atraí. Me tira suspiros.

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Sobre coisas tristes.

Eu sempre argumentava que a felicidade era proporcional a possível tristeza a ser sentida. Aceitar ser feliz, estar feliz, visto que a felicidade não é um estado eterno, é050rt_1.jpg consequentemente aceitar o risco, que como dizem os populares: “quanto mais alto a queda, maior o tombo”.

***

Você não esperava que eu recuasse,  eu sempre fui mesmo uma menina bem impulsiva. Poderia experimentar de tudo, extremos de sorrisos, onde até os olhos se expressam, a de fúria, tristeza, não só os olhos, eu sempre me expressei, é como se não coubesse em mim e tivesse que transbordar.

Hoje eu recuo, eu procuro algo dentro, que eu não sei bem o que é, um aconchego, uma proteção.

***

Acreditei que se “a vida” machucasse a gente, como já me machucou, e eu me recuperasse, como me recuperei, eu poderia lidar com qualquer coisinha, eu era forte, porque afinal já sentira dor maior.

Estranha ingenuidade essa de não saber que não existe comparativo valido para dor, o que dói, dói. Uma chateação não anula a outra.

***

Eu sou esse monte de caquinhos, tentando me colar, mas você também não é?

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Amar é um ato de coragem.

Quando uma garota sofre uma violência sexual não fatal, geralmente em dias (na verdade visto que o coquetel de remédios demora 30 dias e é pesadíssimo, vamos contar a média de um mês) seu corpo está “recuperado”, então porque dói tanto? Porque fere o psicológico, fere a confiança de que está em segurança, a fé no mundo, na vida. Não da pra ignorar uma invasão dessas.

As vezes, por medo dessas “feridas” psicológicas decorrente não só de violências, mas finais de relacionamento, falecimento de pessoas queridas, decepções profissionais, frustrações em geral, deixamos de fazer muitas coisas, eu por exemplo, sempre achei que viajar sozinha pudesse ser uma experiência maravilhosa de auto conhecimento, mas sendo mulher e conhecendo o cenário atual, cadê a coragem?

Muitas vezes deixamos de conhecer alguém, um lugar, de arriscar profissionalmente, por medo de sair da zona de conforto. Medo de quebrar tanto a cara e não ter coragem ou força de reunir os caquinhos depois.

Qual é o nosso limite?

Eu percebi que as experiências mais incríveis que vivi, foi quando arrisquei. Tento quase que desesperadamente não perder a fé da vida. Manter uma certa “ingenuidade” de acreditar que pode sim, não tudo, mas muita coisa pode dar certo. Principalmente me lembrar de tudo que passei, de quantas vezes me recuperei e se algo não der certo, tá legal, eu sou forte.

É preciso ter coragem para ir além.

 

 

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Sempre cabe mais um.

Meg, Lola, Teka e Julie são as cadelinhas que enfeitam nossa vida, mas nem sempre foi assim, claro. Ninguém resolve ter quatro cães do nada.

Tudo começou com a Meg, há 10 anos, eu não me recordo bem como ela apareceu, eu tinha apenas 15, mas era um pinscher desses que cabe na mão! rs, e não é que ela tenha crescido muuuuito mais.

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Acontece que ela viveu uma aventura amorosa, e engravidou de 6 filhotinhos. Eles nasceram e foi um parto complicado, na ultima filhotinha meu pai precisou auxiliar, e ela nasceu bem feinha e pequena. Tão feinha que ficava bonita! rs, mas as pessoas não pensavam da mesma forma, e ela foi ficando… Sorte a nossa, porque é uma cadelinha extremamente carinhosa, doce, sapeca, virou companheira da Meg e trouxe mais vida para nossa casa ❤

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Já a Teka e a Julie foram diferentes… Vivíamos então há anos com as duas pinschers, quando vimos um anuncio pedindo um lar temporário para duas velhinhas. Acontece que a dona delas morreu, e as ONGs só aceitavam para adoção individual, e separar aquelas duas que viveram uma vida toda juntas era de doer.

Aceitamos (com certo receio) de ser o lar temporário delas (viramos lar pra sempre). Ambas educadíssimas, ficam para fora na casinha delas sem maiores trabalhos, enquanto as de porte pequeno ficam dentro. Assim que chegaram sentimos um alivio e nos emocionamos, se não fosse por aquele gesto, ambas estariam na rua passando frio, fome, medo. E o melhor de tudo! Meg e Lola não ficaram enciumadas, adoraram ter novas amiguinhas.

A Julie que apelidamos de Juju, chegou arredia, e corria de tudo e se escondia. Com o tempo pegou confiança e virou a predileta da minha mãe. Ela é bem gorda e se vê que faz um esforço grande para pular comemorando quando acordamos. Desconfiamos que ela fuma uns cigarros a noite escondida, porque vive pigarreando, rs.

(Juju não tem foto, desconfio que é nessas horas que ela saí pra fumar um, rs)

A Teka quando chegou ficamos na duvida se era um leitão, rs. (Elas realmente eram bem tratadas pela antiga dona! Que bom!). Era mais dada, pra tudo mostrava a barriga (vide foto), mas enfrentamos alguns problemas com ela. Com os fogos de final de ano, ela fugiu, e quando voltou estava toda machucada, achamos que ela se meteu com alguma gangue canina vida louca demais. Acontece que ela ficou tão ansiosa (afinal ela demorou pra achar a casinha nova e a gente também não conseguia encontra-la) que desenvolveu uma dermatite, se coçava e até se comia. Tivemos que colocar colar elisabetano nela (cone). Ela ficou chateada, depressiva (mas se tirassemos, parecia filme de terror, muito sangue, ela se machucava muito), e cuidavamos dela com remedinhos e calmente. Nas ultimas semanas ela piorou, batia a cabeça no tanque, tinha crise de ansiedade, não deixava ninguém dormir, até que enfim, descobrimos um calmante maravilhoso, e um dia quando acordamos ela estava sem o cone e brincando no quintal. Aparentemente esqueceu dos problemas da vida e está curtindo uma vibe! Esperamos que continue assim.

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Claro que diziam “sacrifica, é melhor!”, a gente pensava “melhor pra quem?”. Estamos aliviadas por mesmo com as noites sem dormir, não termos feito.

Toda essa história só nos fez ama-la ainda mais!

Agora estamos nos mudando pra uma casa ainda maior, onde elas poderão viver melhor.

Ter quatro cães da gasto? Sim, quatro vezes mais. E quatro vezes mais trabalho, e quatro vezes mais felicidade. Quatro vezes mais pulos, quatro vezes mais comemorações com a nossa chegada.

Teríamos mais? Não, porque é quatro vezes mais responsabilidade, mas quando uma delas se for… Elas tem pedigree? Não, elas tem olhinhos que brilham, elas tem vontade de agradar, elas tem vida, elas são vida. E nada é mais valioso.

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